{"id":4669,"date":"2026-08-24T14:54:39","date_gmt":"2026-08-24T14:54:39","guid":{"rendered":"https:\/\/filmaporto.pt\/dev\/?p=4669"},"modified":"2026-08-24T14:55:38","modified_gmt":"2026-08-24T14:55:38","slug":"porto-acolheu-filmagens-da-adaptacao-de-ternos-guerreiros-de-agustina-bessa-luis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/filmaporto.pt\/dev\/2026\/08\/24\/porto-acolheu-filmagens-da-adaptacao-de-ternos-guerreiros-de-agustina-bessa-luis\/","title":{"rendered":"Porto acolheu filmagens da adapta\u00e7\u00e3o de &#8220;Ternos Guerreiros&#8221;, de Agustina Bessa-Lu\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Porto foi um dos locais escolhidos para as filmagens de <em>Ternos Guerreiros<\/em>, nova produ\u00e7\u00e3o da Leopardo Filmes, realizada por Francisco Botelho, que adapta livremente ao cinema o romance hom\u00f3nimo de Agustina Bessa-Lu\u00eds. A longa-metragem ter\u00e1 tamb\u00e9m uma extens\u00e3o ao formato de s\u00e9rie, com seis epis\u00f3dios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com argumento de Filipa Martins, Vasco Gato e Francisco Botelho, o filme recupera a obra de Agustina Bessa-Lu\u00eds para abordar temas como as rela\u00e7\u00f5es de poder, o patriarcado, a crise de valores e a amoralidade, colocando-os em di\u00e1logo com quest\u00f5es que permanecem profundamente contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vontade de levar <em>Ternos Guerreiros<\/em> ao cinema surgiu de um convite do produtor Paulo Branco, que conhecia e acompanhava o romance desde os anos 60. Para Francisco Botelho, que desconhecia at\u00e9 ent\u00e3o a obra, o contacto com o livro revelou uma narrativa surpreendentemente pr\u00f3xima do presente, centrada em \u201cmecanismos de poder, comportamentos, e estruturas humanas que persistem\u201d. A adapta\u00e7\u00e3o representa tamb\u00e9m, para o realizador, a oportunidade de dar forma visual e corpo ao universo liter\u00e1rio de Bessa-Lu\u00eds atrav\u00e9s de uma jovem gera\u00e7\u00e3o de atores, construindo um novo olhar sobre o pensamento de uma das grandes autoras da literatura portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>Ternos Guerreiros<\/em>, Francisco Botelho encontrou uma hist\u00f3ria capaz de interpelar diretamente o espectador contempor\u00e2neo. A complexidade das personagens e a forma como Agustina aborda as rela\u00e7\u00f5es de poder s\u00e3o centrais na leitura do realizador, que destaca a capacidade da autora para escapar a classifica\u00e7\u00f5es simples entre v\u00edtimas e culpados. \u201cO espectador vai reconhecer comportamentos. Vai reconhecer rela\u00e7\u00f5es de poder, formas subtis de viol\u00eancia, pessoas que vivem condicionadas por expectativas sociais e que, ao mesmo tempo, desejam escapar-lhes\u201d, explica Francisco Botelho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o realizador, a for\u00e7a da escrita de Bessa-Lu\u00eds est\u00e1 tamb\u00e9m na sua resist\u00eancia a respostas f\u00e1ceis. \u201cEscreve personagens livres no sentido mais desconfort\u00e1vel da palavra: capazes do melhor e do pior. Hoje gostamos muito de organizar o mundo entre v\u00edtimas e culpados, entre raz\u00e3o e erro. A Agustina desconfia quase sempre dessas categorias, e obriga-nos a permanecer numa zona de ambiguidade. \u00c9 por a\u00ed que a sua obra tanto vibra e resiste.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa ambiguidade \u00e9 tamb\u00e9m uma das caracter\u00edsticas que permitem \u00e0 obra atravessar d\u00e9cadas e continuar a dialogar com o presente. A reflex\u00e3o estende-se ao pr\u00f3prio percurso de Domingos, protagonista masculino, e \u00e0 ideia de que o estilo de vida pode tornar-se substituto do sentido da vida. \u201cDedicamos cada vez mais tempo a construir, e a gerir, uma imagem de como queremos viver, ou de como gostar\u00edamos de viver, e menos tempo a questionar as raz\u00f5es disso mesmo\u201d, afirma o realizador. Mais do que oferecer respostas, o filme procura criar um espa\u00e7o de reflex\u00e3o e interroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na cidade do Porto, a equipa filmou em v\u00e1rios locais emblem\u00e1ticos. Entre as principais sequ\u00eancias destaca-se a filmagem na Praia do Molhe, na Foz, que, segundo Botelho, \u201cacaba por determinar grande parte do filme\u201d. O Grande Hotel de Paris, a Avenida dos Aliados, a Rua das Taipas e a Ribeira foram tamb\u00e9m cen\u00e1rios desta produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a do Porto assume uma dimens\u00e3o relevante na constru\u00e7\u00e3o visual do filme, contribuindo para a recria\u00e7\u00e3o do Portugal dos anos 50. No entanto, para Francisco Botelho, a \u00e9poca n\u00e3o deve ser o centro da narrativa nem se transformar num mero exerc\u00edcio de reconstitui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. \u201cPara mim, num filme de \u00e9poca, a \u00e9poca nunca deve ser o assunto principal\u201d, explica. O rigor hist\u00f3rico \u00e9 importante, mas deve estar ao servi\u00e7o da narrativa, uma vez que \u201caquilo que realmente atravessa o tempo n\u00e3o s\u00e3o as paredes, os objetos ou os figurinos, s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es humanas\u201d. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9, assim, que o espectador deixe de olhar para a hist\u00f3ria como quem observa um passado distante e reconhe\u00e7a nas personagens, nos seus desejos e nos seus conflitos quest\u00f5es que continuam a fazer parte do presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a passagem das filmagens pelo Porto, <em>Ternos Guerreiros<\/em> junta-se a outras produ\u00e7\u00f5es da Leopardo Filmes que t\u00eam encontrado na cidade espa\u00e7os para desenvolver diferentes universos cinematogr\u00e1ficos. Entre os projetos que passaram recentemente pelo Porto destacam-se <em>Mem\u00f3rias do C\u00e1rcere<\/em>, de S\u00e9rgio Graciano, e <em>Aqui<\/em>, de Tiago Guedes, refor\u00e7ando o posicionamento da cidade como territ\u00f3rio de cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica e a sua capacidade para acolher diferentes \u00e9pocas, narrativas e linguagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Porto foi um dos locais escolhidos para as filmagens de Ternos Guerreiros, nova produ\u00e7\u00e3o da Leopardo Filmes, realizada por Francisco Botelho, que adapta livremente ao cinema o romance hom\u00f3nimo de Agustina Bessa-Lu\u00eds. A longa-metragem ter\u00e1 tamb\u00e9m uma extens\u00e3o ao formato de s\u00e9rie, com seis epis\u00f3dios. 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