Camilo Castelo Branco regressa ao ecrã pelas mãos de Sérgio Graciano

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09 Jun 2025

A vida turbulenta de Camilo Castelo Branco vai ganhar nova vida em Memórias do Cárcere, projeto que dará origem a um filme e a uma minissérie, com realização de Sérgio Graciano e produção da Leopardo Filmes. As rodagens decorreram no Porto, cidade que marcou profundamente o percurso do escritor.

No centro desta adaptação está o período em que Castelo Branco esteve preso na Cadeia da Relação do Porto, acusado de adultério com Ana Plácido. “Quando Paulo Branco me apresentou o projeto, senti imediatamente que havia aqui matéria para explorar o homem por trás do escritor, num momento limite onde tudo se intensificou: o amor, a dor, a criação”, explica Graciano.

A opção por concentrar a narrativa nesta fase específica da vida de Camilo não é casual. “É uma espécie de microcosmo onde tudo ganha outro peso: a escrita como sobrevivência, a culpa, o amor por Ana Plácido, a angústia, o génio. E é também um ponto de viragem profundo — quase uma antevisão do desfecho trágico da sua vida”, acrescenta o realizador.

O projeto foi filmado integralmente no Norte de Portugal, uma escolha tanto artística como afetiva. “Camilo é um autor profundamente enraizado no Norte — na linguagem, nos lugares e na mentalidade. Filmar nestes cenários não é apenas uma questão de autenticidade visual: é uma forma de nos ligarmos ao que ele viveu, ao que escreveu, ao que sofreu. Gravámos em espaços que foram importantes na sua vida e na história do país — e isso dá ao projeto uma verdade que não se constrói em estúdio”.

A estrutura narrativa desdobra-se em dois formatos: uma longa-metragem, mais concisa e depurada, e uma série televisiva, que se permite mergulhar no contexto histórico e nas personagens secundárias. “São linguagens diferentes, mas complementares. Trabalhá-las em paralelo exige rigor e criatividade, mas dá ao projeto uma profundidade rara”, sublinha o realizador.

Coincidindo com as comemorações dos 200 anos do nascimento do escritor, Memórias do Cárcere chega num momento simbólico. “Acima de tudo, queremos que o público reencontre o Camilo humano. Que o veja para lá da estátua. Que se emocione com a intensidade com que este viveu.”

O guião parte da adaptação do romance de Camilo Castelo Branco por Carlos Saboga, argumentista conhecido por trabalhos como O Lugar do Morto (1984) Jaime (1999) e Mistérios de Lisboa (2010). Com Albano Jerónimo no papel de Camilo Castelo Branco e Maria João Bastos na pele de Ana Plácido, o elenco conta ainda com nomes como Paulo Pires, João Pedro Vaz e Adriano Carvalho.

Com estreia prevista para breve, o filme e a série prometem devolver à contemporaneidade um dos maiores vultos da literatura portuguesa: “Camilo continua a falar connosco — com uma urgência que não se perdeu no tempo”, conclui Sérgio Graciano.